Péter Magyar, futuro primeiro-ministro da Hungria, reafirma que vai reaproximar o país da UE
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Futuro primeiro‑ministro da Hungria reafirma compromisso de reaproximação da União Europeia
O futuro primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, reafirmou nesta segunda-feira (13) um compromisso de campanha: reaproximar o país da União Europeia. O partido dele venceu a eleição parlamentar no domingo (12) e encerrou 16 anos de poder do líder da extrema-direita Viktor Orbán.
Não foi uma eleição normal na Hungria. A derrota da extrema-direita foi celebrada. A votação mobilizou tantos eleitores, com filas imensas país afora, que a participação foi recorde: de 80%.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, falou o que a União Europeia tanto esperava: que a Hungria vai ser um parceiro construtivo no bloco, buscando acordos em vez de confronto.
Magyar é advogado e ex-aliado do candidato que ele derrotou: Viktor Orbán, que ficou 16 anos no cargo e virou uma das principais caras da extrema-direita global. Orbán limitou direitos de minorias, restringiu a liberdade de imprensa, enfraqueceu o Judiciário e transformou a Hungria em um problema para a União Europeia.
Magyar passou a denunciar corrupção no governo Orbán e rompeu com ele. Disse, também nesta segunda-feira (13), que pretende desmontar o que chamou de corrupção em escala industrial - que, segundo ele, impede a Hungria de receber bilhões em recursos da União Europeia.
Péter Magyar, futuro primeiro-ministro da Hungria, reafirma que vai reaproximar o país da UE
Jornal Nacional/ Reprodução
Magyar conseguiu uma vitória expressiva. O Tisza, partido dele, de centro-direita, vai comandar 2/3 do Parlamento. Conquistou 138 cadeiras, contra 55 só do partido de Orbán. Maioria suficiente para aprovar reformas na Constituição.
A derrota da extrema-direita húngara, e uma derrota contundente, repercutiu muito na Europa ao longo do dia. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse que a Hungria provou que as democracias são resilientes. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o resultado representa um retorno da Hungria ao caminho europeu e uma vitória das liberdades fundamentais.
O governo de Vladimir Putin, que era próximo de Viktor Orbán, disse que está pronto para trabalhar com o novo primeiro-ministro e que vai avaliar as ações, não só os discursos. A Hungria ainda depende da energia russa e, nos últimos anos, bloqueou políticas favoráveis à Ucrânia. Orbán também tinha o apoio da China e dos Estados Unidos. Na semana passada, o presidente Donald Trump chegou a enviar o vice J.D. Vance a Budapeste na reta final da campanha.
Péter Magyar, futuro primeiro-ministro da Hungria, reafirma que vai reaproximar o país da UE
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Robert Laszlo é especialista de um centro de investigação política europeia. Ele disse que essa não é uma simples troca de governo, que essa eleição pode servir de exemplo para outros países:
"Acho que é uma virada de jogo que mostra que até líderes aparentemente muito fortes podem ser escanteados de uma hora para a outra”.
Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais, avaliou que a vitória de Péter Magyar é também uma vitória da União Europeia:
"Essas eleições são marcadas por o que a gente chama de um referendo. Mais do que uma eleição, era um referendo onde a população da Hungria escolheu a democracia contra um governo autocrático e escolheu a Europa contra outros aliados também. Isso possibilita a reentrada efetiva da Hungria como parte da integração europeia, o que deve destravar alguns avanços importantes em agendas, como a agenda de segurança. Então, isso é muito bem-vindo pela União Europeia".
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